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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um crime contra a Deusa e contra as suas filhas


"A deusa torna o corpo e a vida sagrados, 
e liga-nos à divindade que permeia toda a matéria: o seu órgão simbólico é o útero. O seu órgão de conhecimento é o coração.
 Tanto o coração como o útero são vasos através dos quais a vida desperta. São ambos cálices para o sangue que os enche e os esvazia. Um sustenta a vida, o outro traz novas vidas ao mundo."

Jean Shinoda Bolen, do livro "O Milionésimo Círculo"


Pra falar a verdade eu comecei a criar o blog com o intuito de divulgar as mulheres que fizeram parte de nossa história em todos os aspectos, mulheres revolucionárias, conhecidas ou desconhecidas. Resolvi então começar falando um pouco da mulher na história da humanidade, como eram seus costumes, como deixou de ser, e vagando pela internet e pesquisando sobre o tema, eu encontrei de tudo, até que de tanto mergulhar na revolução feminina, eu me deparei com um tema desprezível porém de suma importância a ser debatido, "a violência contra a mulher". Bom achei viável que eu descrevesse no blog este tipo de assunto que permanece sendo discutido por toda a sociedade. Eu percebo que muitos falam á respeito, e é fácil falar bonito, mas não vejo uma reação severa por parte das autoridades e das próprias pessoas em si, não vejo mobilização o suficiente á ponto de tornar revolução. Ao me deparar com casos reais de mulheres que sofreram ou sofrem de violência, eu me pergunto: Ninguém vai fazer nada á repeito? Isso simplesmente vai ser noticiado nos jornais (ou não na maioria dos casos) e depois virar arquivo? Eu não consigo entender como as pessoas estão deixando a violência se tornar rotina e simplesmente ver como se estivesse vendo algo normal, pára! Não tem nada de normal nisso e ninguém tem que se acostumar como  se já tivesse virado parte do nosso dia-a-dia. Eu não me conformo ao ver tantas irmãs sofrendo nas mãos dessa sociedade patriarcal machista e autoritária. E a cada agressão, cada morte, eu me sinto no dever de lutar, de alguma forma expressar a minha revolta e não virar a cara, eu não vou virar a cara pra não ver, não vou achar normal, não vou ser insensível porque não foi com alguém que eu conheço, não, não, mil vezes não! Vocês viram o caso que eu publiquei num post sobre a mutilação genital feminina ( comum em diversos países), isso passou da ignorância, isso é maldade pura, isso é crime, um crime não só contra as mulheres mas contra a humanidade! Eu fico imaginando onde estão as autoridades de outros países que permitem que estes países façam isso com suas mulheres. Onde estão os direitos humanos? Será que essa monstruosidade vai continuar como se fosse normal? Será que essas garotas e mulheres mutiladas vão simplesmente conviver com isso achando que é normal? E as próprias mulheres que fazem esse processo mutilatório nas outras vão continuar fazendo isso porquê estão recebendo ordens ou porque simplesmente acreditam que faz parte da sua cultura?  Onde está a cultura na mutilação? Onde está a cultura no apedrejamento? onde está a cultura no linchamento, no desprezo e no descaso com as mulheres? Vamos ver num post mais á frente sobre Malala, a garota paquistanesa que sofreu atentado dos talibãs e hoje vive sobre proteção só porque lutava pelo direito das mulheres ao estudo. E não aconteceu só com ela, acontece com milhares de mulheres, em algumas sociedades as mulheres simplesmente não tem valor algum, não valem nada e são dominadas por homens que ditam como elas devem agir ou se comportar, como ser e como se vestir. Elas não podem questionar, elas não tem direito algum. Vivem sob a repressão e o medo de questionar o seu modo de vida. E eu novamente me pergunto: onde estão os outros países neste momento, que assistem á tudo calados, não tomam a atitude de interferir nessa cultura desprezível e covarde. Mas depois eu penso novamente: eles não estão nem aí. Isso realmente não se trata do interesse deles. Nós vemos guerras por territórios e dinheiro, o sangue dos inocentes valem riqueza, mas a liberdade não vale nada. Mundo injusto este. Ou melhor, pessoas injustas! Sociedades injustas, homens injustos, mulheres injustas com elas mesmas. Sabe qual a desvantagem de amar demais  ao próximo? É sofrer demais! E cada vez que vejo injustiças cometidas contra mulheres, eu sofro. Eu penso na grande mãe, como foi injustiçada, eu penso nas suas filhas, que agora estão sendo também. Ao mesmo tempo eu me entristeço e ao mesmo tempo eu me revolto, é tudo culpa deles! Dos patriarcas, dos algozes que declararam extermínio á cultura matriarcal. E enquanto  nós mulheres vivermos sob o domínio deles, nós nunca teremos paz, nunca seremos realmente livres.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A triste pecadora


Os antigos viam o mundo dividido em duas metades: a masculina e a feminina. Seus deuses e deusas agiam no sentido de manter um equilíbrio de poderes. Quando masculino e feminino, Yin e Yang, estavam equilibrados, havia harmonia no mundo. Quando se desequilibravam, estabelecia-se o caos. A exaltação ao feminino estava presente até mesmo no jogo de cartas medieval, onde haviam arcanos denominados A Papisa, A Imperatriz e A Estrela, tendo o Ouros como naipe representativo da divindade feminina (BROWN, 2004, p. 43). 

Desde o princípio ouvimos histórias que são passadas através de gerações á respeito de como viemos ao mundo e com que propósito. Devemos aceitar tudo aquilo que nos foi dito e acreditar como se fosse a mais absoluta verdade. Mas qual é realmente a verdade? O que realmente nos prova a existência de Deus? Não estou aqui para criticar nenhuma religião nem desmerecer aos seus seguidores, mas para questionar a posição da mulher na sociedade ao longo de séculos, o que realmente há por trás de todos esses anos de exploração e subordinação.

Agora vamos viajar no tempo, lá atrás, bem além do surgimento do cristianismo, onde viviam os devotos da grande deusa. Pagãos celebravam o ciclo da vida e veneravam á mãe terra por todas as suas recompensas. Grandiosa era a mãe de todos, o sagrado feminino, a adoração á natureza. A mulher era um ser iluminado, dotada de dons especiais. Quando tudo parecia estar no mais puro equilíbrio, surge então a supremacia patriarcal, passou a denegrir e hostilizar a imagem da deusa e a perseguir e punir todas as suas filhas. Aqueles que fosse pegos praticando qualquer forma de ritual ligado á deusa era punido com a morte sob alegação de heresia. Passava-se então a adorar ao pai e a negar a mãe. E assim começava o ciclo do terror. Milhares de mulheres foram perseguidas e mortas.



Deusa mãe representando a Natureza


Temos como exemplo o famoso caso de Salem, um vilarejo da Colônia americana da nova Inglaterra, que resultou em quase 20 mortos sob acusação de bruxaria, simplesmente porque uma epidemia de uma doença assolava o local e a medicina não encontrava explicação para tais acontecimentos. Afirmavam que a cidade fora tomada pelo próprio demônio. 



Julgamento de Salem

Aconteceu também o caso dos Templários, a ordem dos cavaleiros de Cristo, que foram acusados de heresia por adorarem a imagem de um deus pagão, Baphomet, o deus da fertilidade. O papa Clemente então comandou a execução de milhares de templários. E a matança continuou por diferentes lugares em diferentes tempos, além de mulheres, homossexuais e pensadores livres também eram apanhados. Ás vezes ocorria de executarem centenas de vítimas em um só dia. O resultado de tudo foram milhões de pessoas assassinadas, em sua maioria mulheres. Com a liderança patriarcal, a mulher já não tinha mais nenhum valor, e passou a ser culpada por todas as desgraças, a pecadora que induz o homem ao mal. Como aconteceu com Helena de Troia, acusada por muitos de ser a causadora da guerra, da discórdia entre os dois reinos. Ou até mesmo Joana D'arc que ajudou a França na guerra dos cem anos a derrotar a inimiga Inglaterra e que depois foi acusada de bruxaria e por causa disso queimada na fogueira. Ou mais além, a pecadora Eva, induziu o pobre Adão a cometer o pecado e por isso foi punida junto às suas descendentes. A maldição caiu sobre nós mulheres. Mas não se trata de maldição divina ou algo assim, mas de maldição patriarcal, da intolerância dos homens, do ego machista e conservador. 


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"Mulheres de Atenas"

Como dizia Chico Buarque em sua canção:

"Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas.."

  


Pois é, essa canção retrata a condição feminina das mulheres de Atenas que viviam em total submissão aos homens e a sociedade patriarcal, e como as mulheres em geral podem tirar como "exemplo" essas condições. Mas que exemplo poderíamos tirar disso tudo? O exemplo a que Chico se refere nesta canção é como nós podemos ver e perceber a submissão e a desigualdade de gênero, não sejamos submissas e não nos sustentemos com migalhas, não vamos viver como as mulheres de Atenas, temos a nossa própria vida. Elas não podiam viver para elas, mas para seus maridos, sua casa, seus filhos e seus afazeres domésticos, enquanto aguardavam pacientemente pelo retorno dos seus companheiros da guerra, sedentos em satisfazer os seus egos machistas e tomá-las como objeto sem preocupar-se com a vontade das mesmas, e de que importava a vontade, os desejos, os anseios, a felicidade, a solidão... Se para eles as mulheres estavam ali só para servi-los. 

O maldito patriarcalismo se perpetuou através de gerações, deixando para trás só o rastro de tristeza, culpa, desilusão, medo, sangue, cinzas... As cinzas de todas as Joanas D'Arc, mulheres guerreiras, brancas, negras, ruivas, pobres, ricas, mulheres que ousavam ser livres! Que tinham orgulho acima de tudo. E que foram simplesmente massacradas, apenas pelo desejo de serem tratadas como seres humanos. 


Joana D'Arc condenada á fogueira


A questão do feminismo em si não se trata da mulher querer ser melhor do que o homem mas de ser igual, ter direitos, liberdade, igualdade acima de tudo. E o que realmente me deixa muito chateada é que apesar de todos esses séculos terem se passado, apesar de tanta revolução, tantas conquistas, infelizmente ainda vivemos sob o machismo disfarçado, mascarado, escondido por trás de todas as leis, todas as regras. Está no nosso dia-a-dia, nas casas, trabalhos, igrejas, ruas, está em todos os lugares, á espreita, vigiando á cada uma de nós, para que a gente se sinta livre, para que a gente viva essa suposta "liberdade" que eles fingem nos dar. Mas a mim, particularmente eles não enganam, e a cada mal trato, cada desrespeito, cada morte de mulheres, só aumenta mais ainda a minha revolta e a minha vontade de lutar e honrar todas elas, o que nós mulheres precisamos não é de uma sociedade nos dizendo como devemos ser, o rosto que devemos ter, o cabelo, a maquiagem, as roupas... Nós precisamos de dignidade! De união! Precisamos nos unir contra o machismo, contra o patriarcado, precisamos nos conscientizar dos nossos direitos, não é privilégio para a mulher ter os mesmos direitos que o homem, é um direito dela também!

Angie Gago – Em Luta (Espanha)


Então para honrar e homenagear todas as nossas irmãs, nada melhor do que fazermos uma retrospectiva sobre a história de luta de algumas delas, abordando temas de questão social, música, cinema, literatura, etc, tudo o que foi conquistado por elas.