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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Theda Bara

Theda Bara (Cincinnati,Ohio, EUA, 29 de julho de 1885 – Los Angeles, Califórnia, EUA, 7 de abril de 1955), nascida Theodosia Burr Goodman, foi uma atriz norte-americana do cinema mudo. Uma das primeiras vamps do cinema norte-americano, seu nome artístico era um anagrama de "Arab death" ("morte árabe"). Justificou-o no filme que a consagrou: "A Fool There Was" (Escravo de uma paixão) (1915).


Theda Bara

Na verdade, "Theda" era uma alcunha da infância para Theodosia, e "Bara" era aparentemente uma forma encurtada de seu sobrenome materno, Baranger.

Bara era uma das atrizes mais populares do cinema de sua era, além de ser um símbolo sexual dos mais adiantados do cinema. Seus papéis de mulher fatal deram-lhe a alcunha de "Vamp", que logo transformou-se em termo popular para uma mulher de ares predatórios.



Theda Bara

Junto com a atriz francesa Musidora, popularizou a personalidade vamp nos primeiros anos do cinema mudo e logo foi imitada pela atrizes rivais tais como Nita Naldi e Pola Negri.

Outros títulos típicos: "The Tiger Woman" (Coração de tigre) (1917), "Cleopatra"(1917), "When a Woman Sins" (Quando a mulher peca) (1918), "The Unchastened Woman" (Mulher libertina) (1924). Dos mais de quarenta filmes que estrelou, apenas seis chegaram até os nossos dias.

Biografia

Nascimento

Theodosia Burr Goodman nasceu em 1885 na seção de Avondale, Cincinnati, Ohio.

Seu pai, Bernard Goodman (1853-1936), era um próspero alfaiate judeu nascido na Polônia. Sua mãe, Pauline Louise de Coppett (1861-1957), nasceu na Suíça e também era de origem judia. Eles se casaram em 1882.

O irmão e a irmã de Theda eram Marque (1888-?) e Esther (1897-?), que igualmente se tornou atriz de cinema, com o nome de Lori Bara e se casou com Francis W. Getty, de Londres, em 1920.

Em 1917, a família Goodman legalmente mudou seu nome para "Bara".

Educação

Bara estudou na "Walnut Hills High School", de 1899 a 1903, e morou na 823 Hutchins Avenue. Após efetuar dois anos de estudo na Universidade de Cincinnati, foi trabalhar em produções teatrais e explorar novos projetos, mudando-se para Nova York em 1908. Fez seu debut na Broadway em "The Devil", em 1908.

Carreira

Theda Bara atuou em mais de 40 produções cinematográficas entre 1914 e 1926. As cópias completas de somente seis destas películas ainda existem. A maioria de películas de Bara foi produzida por William Fox, começando com A Fool There Was (1915) e terminando com The Lure of Ambition (1919). O fenomenal sucesso de A Fool There Was deu a William Fox o dinheiro para fundar a Fox Film Corporation, que se tornou um estúdio bem sucedido.


Theda Bara

Ela foi a mais famosa das estrelas de cinema, perdendo somente para Charlie Chaplin e Mary Pickford em popularidade. Seus mais conhecidos papéis foram os que ela interpretava em estilo "vamp", embora muitas vezes ela tentasse também interpretar heroínas, como no filme "Under Two Flags" e "Her Double Life". Ela também interpretou a Julieta, de "Romeo and Juliet", de William Shakespeare. Embora Bara tomasse seu ofício seriamente, era demasiado bem sucedida como uma mulher "arbitrária e exótica", e assim tinha dificuldades em desenvolver uma carreira mais versátil.

Muitos dos filmes de Bara foram lançadas na costa leste, primeiramente no estúdio da Fox Films. A atriz viveu com sua mãe e irmãos em Nova York por muito tempo. A ascensão de Hollywood como o centro de indústria cinematográfica americana a forçou a se mudar para Los Angeles, para filmar o épico "Cleopatra" (1917). Este filme tornou Bara um grande "hit". Nenhuma cópia conhecida de Cleopatra existe hoje, mas fotografias numerosas de Bara no traje como a rainha do Nilo sobreviveram.


Theda Bara como Cleópatra em 1917
Entre 1915 e 1919, Bara foi promovida, tornando-se a grande estrela do estúdio. Quando perdeu esse suporte, sua carreira desabou. Cansou de fazer somente papéis "vamp", não se importando em renovar seu contrato com a Fox quando expirou (era de 5 anos). Seu último filme na Fox foi "The Lure of Ambition" (1919). Depois disso, só fez outro filme em 1925, "The Unchastened Woman" da Chadwick Pictures Corporation.

Bara aposentou-se após ter feito a comédia "Madame Mystery" (1926), feita por Hal Roach, onde parodiava sua imagem vamp.

Theda Bara é a famosa a ter uma porcentagem mais elevada de filmes perdidos em comparação com outros atores/atrizes de Hollywood. Em 1937, um incêndio nos armazéns da Fox, em Nova Jersey, destruiu a maioria dos filmes mudos deste estúdio.



 
Theda Bara em Trechos do filme Cleópatra (1917)

Três de seus filmes ainda permanecem intactos, o restante foi quase totalmente perdido, tais como "Du Barry", "Carmen", "Salome" e "Camille". De "Cleopatra" ainda restam 40 segundos. Felizmente "A Fool There Was" foi preservado em uma cópia integral. "Madame Mystery" ainda existe em uma cópia de 9.5mm.

Sex symbol

Bara é frequentemente mencionada como a primeira sex symbol desta era, e em um número considerável de seus filmes apareceu em trajes transparentes, que deixaram pouco ao imaginário do público. Tais figurinos foram "banidos" dos filmes de Holywood films após o código de produção ser instaurado em 1930, e reforçado em 1934.


Theda Bara
 
Bara foi fotografada com diversos figurinos temáticos, que eram de uso popular para promoção de atores e atrizes de ares misteriosos, juntamente com um cenário exótico. Os estúdios a promoveram com uma campanha de publicidade maciça, a descrevendo como nascida no Egito, filha de uma atriz francesa e de um escultor italiano. Além disso, disseram que ela havia passado seus primeiros anos no deserto do Saara, sob a sombra da esfinge, tendo se mudado para a França para estudar teatro (sendo que na realidade ela jamais fora ao Egito ou a França). Ela foi chamada de "Serpente do Nilo", o que a incentivou a comentar sobre misticismo e ocultismo em suas entrevistas.

A essa altura, devido a fama de Theda Bara, sua imagem vamp se tornou notória e começou a ser referida em canções populares. Em "Red-Hot Hannah": "I know things that Theda Bara's just startin' to learn - make my dresses from asbestos, I'm liable to burn....". A música "Rebecca Came Back From Mecca", diz: "She's as bold as Theda Bara; Theda's bare but Becky's bare-er", e a música "If I had a man like Valentino" possui o refrão, "Theda Bara sure would die; she would never roll another eye".

Casamento e "aposentadoria"

Bara casou com o diretor britânico Charles Brabin (1883-1957) em 1921. Sua carreira começou, então, a decair, sendo finalmente encerrada com a comédia "Madame Mystery" em 1926. No ano seguinte, Bara fez uma aparição bem sucedida ( porém mal comentada ) na Broadway em "The Blue Flame".

Embora sempre tenha expressado o interesse no retorno a atuar em cinema, seu marido não considerou apropriado que sua esposa tivesse uma carreira.



Theda Bara

Ela fez uma série de entrevistas no rádio: em 8 de junho de 1936 na transmissão do Lux Radio Theater; 7 de março de 1939 como convidada da NBC e em 8 de novembro de 1939 na CBS.

Bara gastou o restante de sua vida vivendo entre Hollywood e Nova York, no conforto e na riqueza relativa. O produtor Buddy DeSylva e a Columbia Pictures expressaram interesse, em 1949, em fazer um filme da biografia de sua vida, com a estrela Betty Hutton, mas o projeto nunca foi materializado.

Morte

A atriz morreu de câncer de estômago em 1955, na cidade de Los Angeles, Califórnia. Foi enterrada como Theda Bara Brabin em Forest Lawn Memorial Park Cemetery na cidade de Glendale, Califórnia.



Theda Bara

Legado

- Theda Bara tem uma estrela na Calçada da fama, em Hollywood.  - No ano de 1994 foi honrada com sua imagem nos selos dos Estados Unidos, projetado pelo caricaturista Al Hirschfeld.
- Em junho 1996, duas biografias apareceram: de Ron Genini "Theda Bara: A Biography" (McFarland) e de Eve Golden, "Vamp"(Emprise).
 - Em outubro de 2005 a TimeLine Films premiou a filmobiografia "Theda Bara: The Woman With the Hungry Eyes".
 - Um flme da britânica Georgina Starr intitulado "Theda" (baseado nas histórias sobre os filmes perdidos de Bara) foi premiado em novembro de 2006, na cidade de Londres.
 - A Fort Lee Film Commission dedicou a Main Street e a Linwood Avenue in Fort Lee, Nova Jersey, como "Theda Bara Way" em maio de 2006, em honra a Bara, que fez muitos filmes nos estúdios da Fox na Linwood e na Main.
 - A imagem de Theda Bara é símbolo do Chicago International Film Festival - um close de seus olhos em preto e branco, como frames repetidos em uma tira de película.  

Artigo publicado pelo site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Theda_Bara

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mulheres no Cinema

Breve História da Mulher no Cinema

Não faria sentido abordar o papel da Mulher no cinema sem, inicialmente, tratar da história do cinema. Como será bastante óbvio para a maioria, a mulher não influencia o surgimento da Sétima Arte; no entanto, seria incompreensível abordar tal tema sem referir os grandes feitos primordiais, atribuídos a homens, e percorrendo a evolução do papel da mulher ao longo da história do cinema.

Além da óbvia contextualização histórica que este capítulo trará, permitir-nos-á avaliar o impacto das primeiras manifestações femininas no mundo cinematográfico. Estas manifestações trabalham em dois sentidos: por um lado, um papel ou personagem influenciará as mentalidades da sociedade sua contemporânea; por outro, a própria sociedade será transportada para o grande ecrã, e permitirá a construção de personagens.

Primórdios, Primeiras Realizadoras, Marcos da História do Cinema

 A história do cinema inicia-se, naturalmente, com as experiências feitas ao longo de todo o século XIX. Estas eram, quase exclusivamente, jogos ópticos, e podemos falar de inventores como William George Horner, Willian Fitton, J. A. Ferdinand Plateau ou Émile Reynoud.

Em 1891, Thomas Edison inventou o cinétografo e, posteriormente, o cinetoscópio. Foi com base nestes que os irmãos Auguste e Louis Lumière construíram o cinematógrafo: aparelho portátil que realizava três funções, filmar, revelar e projectar. 

Em 1895 foi feita a primeira exibição pública paga de filmes e é, normalmente, esta, a data indicada como o nascimento do cinema.

Edison e Lumière foram, então, os primeiros realizadores e apresentaram, na altura, documentários que seriam o incentivo ao início do cinema amador: Sortie de l’usine Lumière à Lyon (1895) foi o primeiro documentário dos irmãos e Vitascope (1896), a primeira produção de Edison.

A impossibilidade, até ao final da década de 20 – mais precisamente, até 1927, com The Jazz Singer , de adicionar som às películas, fazia com que a projecção dos primeiros filmes fosse normalmente acompanhada de música ao vivo e era frequente a existência de diálogos escritos, projectados entre cenas.
 
Ao longo de toda a história do cinema, algumas atrizes são dignas de destaque, caracterizando a história contemporânea: Theda Bara é considerada a primeira “mulher fatal”, ainda na época do cinema mudo. Depois dela, várias se seguiram: Mary Pickford, Greta Garbo, Marlène Dietrich, Mae West, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Rita Hayworth, Carmen Miranda, Marylin Monroe, Audrey Hepburn, Jane Fonda… são inúmeros os exemplos de divas e estrelas, reconhecidas por todos e produzidas pela indústria cinematográfica, que se continuam até aos dias de hoje. Julia Roberts ou Michelle Pfeiffer provam-no.
 
Ao mesmo tempo, não podemos negligenciar o papel das realizadoras, porque também as há!, e é fulcral mencionar alguns nomes. Embora, inicialmente, o papel da realização e produção estivesse totalmente entregue aos homens, ao longo dos tempos veio a dar-se uma abertura cada vez maior destes cargos a mulheres, como em tantos outros cargos tradicionalmente masculinos, o que é sintomático da própria evolução das mentalidades. Assim sendo, surgem nomes como Leni Riefenstahl, Jane Fonda, Jodie Foster, Mira Nair, Kathryn Bigelow, Sofia Coppola ou Teresa Villaverde. A própria história mundial foi construindo a história do cinema: é durante a I Guerra Mundial, e devido à situação de destruição na Europa, que a produção de filmes passa a concentrar-se em Hollywood. É esta situação que, potenciando a formação e desenvolvimento de grandes estúdios, leva ao surgimento do “Star System”, o “fabrico” de estrelas que encantam multidões: o caso de Mary Pickford, “a noivinha da América” e o de Theda Bara são óbvios.
 
Surge, também, pelos anos 20, o consolidar dos principais géneros cinematográficos – western, policial e comédia, sobretudo -, de que falaremos mais à frente.
 
A partir dos anos 30, e até à II Guerra Mundial, apesar de a produção continuar a concentrar-se principalmente em Hollywood, também a França, RDA e URSS produzem obras de destaque. No primeiro caso, é-nos fornecida uma perspectiva lírica da sociedade, através do realismo poético e de melodramas policiais. Na Alemanha nazi, o cinema é utilizado como propaganda do regime – exemplo disso é Triumph Des Willens (1935), de Leni Riefenstahl. Finalmente, na URSS, também são usadas obras cinematográficas como propaganda mas, neste caso, aos planos quinquenais impostos por Estaline. Esta época é também referida como “a época de ouro de Hollywood”, que surge após a Grande Depressão e que se baseia numa renovação da indústria. Ultrapassada a II Grande Guerra, realizadores e críticos italianos decidem assumir uma posição mais crítica em relação aos problemas sociais e a rebelarem-se contra os sistemas de produção tradicionais. Surge, então, a relativamente curta experiência do neo-realismo, que, mesmo assim, deixa marcas profundas no mundo cinematográfico, sobretudo ao nível da temática, linguagem e relação com o público. Também na Itália, algum tempo depois  (leia-se anos 50-60), surge uma grande preocupação com a investigação psicológica de uma sociedade em crise: é o tempo da discussão e da reflexão sobre a condição humana e sobre a sexualidade como meio de autoconhecimento e transformação.
 
No mesmo período, em França, persiste um cinema tradicional e quase exclusivamente académico; as obras são pessimistas e exageradamente politizadas ou reagem ao materialismo e existencialismo. Jacques Tati renova a comédia com Mon Oncle (1958). Em 1957, surge, num entanto, um movimento contra o academismo vigente, e que privilegia o cinema de autor, rejeitando o cinema de estúdio e as regras narrativas. É a Nouvelle Vague.
 
A partir daqui, assistimos a um desenvolver das técnicas e dos procedimentos, a um aprofundamento de temas, linguagem, personagens, etc, que nos leva ao cinema que conhecemos hoje em dia. O papel da mulher, diminuto no início da história do cinema, adquire um papel fulcral – e, muitas vezes, principal – no mundo do cinema, e não pode ser desprezado.
 
É, assim, desde já notório o impacto das primeiras manifestações femininas neste mundo – embora não devam ser retiradas do contexto histórico em que estão inseridas -, que ajudaram na libertação da mulher e na abertura do seu papel social, sendo uma óbvia arma para o triunfo (maior ou menor) do feminismo no mundo.

Artigo publicado pelo site: http://mulheresecinema.blogs.sapo.pt/6967.html