quarta-feira, 29 de março de 2017

Camille Claudel: Talento e Genialidade muito além do seu tempo

Camille Claudel foi assistente de trabalho e companheira de Auguste Rodin em um romance altamente destrutivo. Mas, o maior drama de sua história foi o fato de que seu talento extraordinário levaria décadas para ser reconhecido.



Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (1864-1943), ou Camille Claudel, como ficou conhecida, nasceu em Aisne (França), e cresceu em Villeneuve-sur-Fère.

Sua brincadeira de infância preferida era fugir de sua casa, sem que os adultos percebessem, para que ela e seu irmão Paul Claudel fossem para as montanhas que cercavam a vila, local no qual se encontrava o barro que era esculpido por eles durante a brincadeira.

Diferentemente de sua mãe, o pai de Camille, Louis Prosper, começou a se orgulhar das esculturas realizadas por ela, cujas primeiras figuras retratavam personagens como Napoleão, Davi e Golias e membros da família. Em 1881, acreditando na genialidade da filha de 17 anos, Louis Prosper a levou a Paris, palco da efervescência artística do século XIX.

Camille enfrentou várias diversidades diante desse novo mundo: contava com pouco dinheiro para sobrevivência, mal conseguia pagar o local onde morava e tinha dificuldade para comprar o mármore e o bronze para suas esculturas. Além disso, a escultura ainda era classificada como uma atividade essencialmente masculina, tendo Camille que colocar seu talento à prova a todo momento.


Camille Claudel - "Jovem com um feixe [de trigo]" (1887)



Camille Claudel - "A velha Helena"


A artista passou a ter aulas com Alfred Boucher, que a apresentou ao diretor Nacional de Belas Artes, Paul Dubois. Esse identificou semelhanças entre o trabalho de Camille Claudel e de Auguste Rodin e os apresentou. Nesta época, Rodin ainda não era famoso, mas era amado pelos vanguardistas da arte impressionista.

Rodin convidou Camille para trabalhar como sua assistente, a única mulher entre o grupo de artistas contratados para auxiliá-lo em uma de suas maiores obras: “Os Burgueses de Calais”. Camille era incumbida de esculpir pés e, principalmente, mãos, e era por meio das mãos que, segundo especialistas, Rodin costumava definir a emoção de seus personagens.

Camille tornou-se musa de Rodin. Eles se tornaram também amantes e, posteriormente, rivais.
Camille teria sido a modelo para esta escultura de Rodin:


Auguste Rodin - "A Danaide" (1885)


O relacionamento de Camille e Rodin configurou-se, desde o início, em algo extremamente conturbado. Rodin se recusava a deixar sua esposa e filho para viver definitivamente com Camille, o que tornou a proximidade de ambos atormentadora. Eles também brigavam pela autoria na concepção de obras.

Na interpretação da historiadora Monique Laurent, ex-diretora do Museu Rodin, Auguste Rodin tinha medo de assumir seu relacionamento com Camille por ser consciente da inteligência e do talento de sua amante, o que fazia dela uma artista que poderia suplantá-lo.

Sakuntala, também conhecida como Vertumnus e Pomona (1888), é um marco na trajetória de Camille Claudel. A escultura é inspirada no conto do poeta hindu Kalidasa e retrata o momento do reencontro de Sakuntala e seu marido, após um longo período de separação causado por um feitiço.



"Sakuntala" ou " "Vertumnus e Pomona" (1888)


Em 1892, após passar por um aborto, Camille decidiu se afastar de Rodin e desvincular sua arte da obra dele, embora os amantes tenham se encontrado por mais algum tempo depois dessa decisão. E foi nesse processo de distanciamento e rompimento que o trabalho de Camille Claudel teve seu período mais profícuo.

Suas obras desse período demonstram amadurecimento de concepções e de técnicas. Camille estudou arte oriental e, de 1894 a 1897, Camille passou do realismo ao fantástico e buscou trabalhar com a miniaturização de cenas de movimento.

Fazem parte desse período de grande produtividade de Camille as obras:



"A Valsa" (1892)



"As Bisbilhoteiras" (1893)



"A Pequena Castelã" (1893)



"Reflexão Profunda" (1898)



"A Onda" (1903)



"A Tocadora de Flauta (1905)



"A Idade Madura" (1899) - Museu D'Orsay - Paris



Em consequência da falta de reconhecimento de seu trabalho, dos conflitos com Rodin e após não conseguir se recuperar de um grande golpe que foi para si quando “A Idade Madura”, considerada a mais autobiográfica de suas obras, foi recusada pela Exposição Universal de 1900, mesmo após ter sido encomendada para a referida exposição, Camille passou a viver trancada em seu estúdio e a considerar que havia um complô de Rodin contra ela.

Camille continuou a sofrer preconceito pelo fato de ser uma mulher inserida no universo dos escultores e por ser acusada de copiar o trabalho de Rodin.

Em 1913, Camille Claudel foi diagnosticada como portadora de delírio paranoico e internada em um manicômio. Nunca mais voltou a esculpir e permaneceu nesse local durante 30 anos, até morrer em 1943, aos 79 anos de idade.

O amplo reconhecimento de seu talento só viria muitas décadas depois de sua produção.

Fontes: lounge.obviousmag.org

Berthe Morisot


Nasceu em Bourges, Cher, a 14 de Janeiro de 1841, e, faleceu em Paris, a 2 de Março de 1895. 

Berthe Morisot foi uma pintora impressionista francesa. Iniciou sua formação com os mestres Chocarne-Moreau e Guichard e prosseguiu sob a tutela do pintor Jean-Baptiste Camille Corot. Também teve aulas de escultura com Jean-François Millet. No ano de 1863 começou a pintar ao ar livre em Pontoise, onde conheceu os pintores Charles-François Daubigny e Honoré Daumier. A esse período de intensa aprendizagem seguiram-se viagens pela Espanha e Inglaterra. 

Depois de conhecer Édouard Manet, posou para ele como modelo e apaixonou-se por Eugênio, irmão do pintor, com quem se casou. Depois de participar da primeira exposição dos impressionistas, em 1874, a pintora iniciou uma série de viagens de estudo pela Itália, Países Baixos e Bélgica. Suas obras foram apresentadas em 1886 em Nova Iorque, e um ano mais tarde na Exposição Internacional de Paris. A obra de Berthe Morisot representa uma reflexão afirmativa da obra de Manet, embora com pinceladas mais longas e suaves, com tendência para a verticalização, numa tentativa de organizar a composição.



Dans la salle à manger (ca. 1875)



Le berceau. (1873)



Jeune fille mettant son bas (1880)


Femme et enfant au balcon (1872)


Fonte: biografiaecuriosidade.blogspot.com.br

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Mata Hari

Margaretha Gertruida Zelle (Leeuwarden, 7 de agosto de 1876 — Vincennes, 15 de outubro de 1917), conhecida como Mata Hari, foi uma dançarina exótica dos Países Baixos acusada de espionagem que foi condenada à morte por fuzilamento, durante a Primeira Guerra Mundial. Em diferentes ocasiões sua vida foi alvo da curiosidade de biógrafos, romancistas e cineastas. Ao longo do tempo, Mata Hari transformou-se em uma espécie de símbolo da ousadia feminina.

Mata Hari era filha de um empresário, Adam Zelle, e de Antje van der Meulen. A situação delicada de sua família piorou quando, aos 15 anos de idade, Mata perdeu sua mãe.

No início do século XX, depois de uma tentativa fracassada de se tornar professora, um casamento igualmente fracassado com Rudolf John MacLeod e de ter dois filhos, Norman-John MacLeod e Jeanne-Louise MacLeod, ela se mudou para Paris. Morou por algum tempo na ilha de Java, de onde tirou inspiração para seu pseudônimo.

Mata Hari 9.jpg

Ela posava como uma princesa javanesa e se tornou uma dançarina exótica. Seu pseudônimo Mata Hari quer dizer sol (mas literalmente "olho da manhã") em malaio e indonésio. Ela também foi uma cortesã que teve casos amorosos com vários militares e políticos.

Durante a guerra, Mata Hari dormiu com inúmeros oficiais, tanto franceses quanto alemães e se tornou um peão da intriga internacional, apesar dos historiadores nunca terem esclarecido com exatidão se ela fora realmente uma espiã, e se sim, quais eram as suas atividades como tal. Em 1917 ela foi a julgamento na França acusada de atuar como espiã e também como agente dupla para a Alemanha e França. Foi considerada culpada e no dia 15 de outubro do mesmo ano fuzilada.

Existem vários rumores em torno de sua execução. Um dos mais fantasiosos diz que os soldados do pelotão de fuzilamento tiveram de ser vendados para não sucumbir a seu charme. Outra história cita que Mata Hari jogou um beijo aos seus executores antes que começassem a disparar. Uma terceira versão diz que ela não só jogou um beijo, mas também abriu a túnica que vestia e morreu expondo o corpo completamente nu.

O filme de 1931, "Mata Hari", descreve seus últimos dias de vida. Greta Garbo interpretou o papel principal. Existe uma outra versão do filme Mata Hari de 1985 com a atriz holandesa Sylvia Kristel.

Mata também é mencionada na comédia Casino Royale (1967), quando é dito que, ela e James Bond tiveram uma filha, chamada Mata Bond, e Mata Hari foi o grande amor da vida de James. No seriado Charmed, no episódio 13 da sexta temporada, Phoebe Halliwell (Alyssa Milano) incorpora o karma de Mata Hari. É citada também como um "quase" caso de Dimitri Borja Korosek, personagem principal no livro "O Homem que matou Getúlio Vargas" de Jô Soares.

Mata Hari 8.jpg

Mata Hari 3.jpg

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 22 de março de 2016

Rosa Marya Colin

Oswaldo Faustino conta a história da cantora e atriz reconhecida internacionalmente Rosa Marya Colin

A cantora e atriz Rosa Marya Colin | Ilustração: Robério Gonçalves

A década era a de 1980. A palavra da moda era “importado”. Ser nacional fazia consumidores de todas as idades torcerem o nariz para qualquer tipo de produto. Talvez por isso a agência de publicidade tenha escolhido para a trilha sonora do comercial de uma das maiores redes de roupas do mundo, chegada ao Brasil em 1976, aquele sucesso do grupo The Mamas and the Papas, de 1965. A novidade, porém, era a intérprete, uma cantora e atriz mineira de Machado, chamada Rosa Maria. A partir daquela trilha, ela se revelou uma jazz singer reconhecida internacionalmente, com uma vendagem de 350 mil cópias de seu LP “California Dreaming”, produzido por Zé Rodrix.

A cantora e atriz mudou seu nome para Rosa Marya Colin. Em nossa memória ainda vibra sua imagem de cabelos black power, entre os jovens rebeldes na primeira montagem do espetáculo teatral Hair, no paulistano teatro Aquarius, em 1969, em plena ditadura militar. Uma constelação de três estrelas afro-brasileiras: Rosa, Sonia Braga e Neusa Borges. O que os anos não foram capazes de mudar foi seu sorriso constante, a simplicidade no convívio, o olhar sempre vivo e vibrante de menina, a fala doce num volume que revela uma calma permanente da garota que se apresentou em público pela primeira vez, em 1963, no programa Hoje é dia de Brotos, da rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

Da Tupi para a Mayrink Veiga, e desta para a TV Rio, nos programas Festa do Bolinha, Rio Hit Parade, Flávio Cavalcante, Almoço com as estrelas e Embalo, do maestro Erlon Chaves. O primeiro convite para gravação foi participando do LP “S‘imbora”, de Wilson Simonal. Era menor de idade e teve de ser emancipada para participar dos shows de lançamento. Estava na hora do primeiro compacto duplo – um disquinho com quatro canções. O som era todo bossa nova, mas tinha um hit internacional: Hello Dolly. No ano seguinte, seu primeiro LP, “Uma Rosa com Bossa”, lhe rendeu o prêmio revelação de 1966.

Rosa Marya Colin brilhou também no cinema | FOTO: Digulgação

Estava na hora de se mudar para São Paulo. Como uma boa moça solteira daquela época, vivendo sozinha, foi morar num pensionato. Brilhou no Esta noite se improvisa da TV Record. E estreou no cinema em “Compasso de Espera”, de Antunes Filho, protagonizado pelo saudoso Zózimo Bulbul. As fronteiras brasileiras não poderiam conter uma pessoa como ela, que nasceu com a estrela do jazz a nortear-lhe o destino. Por isso, voou em 1971 para o México, onde permaneceu por um ano e de lá partiu para shows nos EUA e na Europa. Na volta, três anos depois, inaugurou o Club de Jazz Opus 2004, onde ficou em cartaz por quatro anos.

Rosa abriu a década de 1980 lançando o álbum “Céu Azul” e fazendo shows por todo o País. A turnê só foi interrompida pelos convites para se apresentar na Temporada de Jazz e Blues de Los Angeles e no Le Chansonier, de Paris. Na volta, já estava com tudo pronto para lançar “Vagando”, pelo selo Eldorado e, depois, “Garra”, pelo selo Pointer. Retornou à França para se apresentar no teatro L’Opera de Paris. Na volta, lançou “Cristal” e, no ano seguinte, “Sings the blues”. A saudade do palco teatral a faz aceitar o convite para estrelar o espetáculo musical “Noviças Rebeldes”. Só se afastou da montagem para participar do festival da canção em Buga, na Colômbia. Foi classificada com a interpretação à capela “Calix Bento”, uma adaptação de Tavinho Moura de uma canção de Folia de Reis. Venceu a final, com “Viagem”, de Taiguara, que encerra com “...o mundo inteiro vai ser teu, teu, teu”. Dama do disco e dos palcos, gravou “Rosa in Blues” e percorreu o País com o show homônimo. Depois vieram mais três discos: “Fever”, “Cores” e “Harlem”, este último, só com spirituals. Suas apresentações nos EUA arrebataram elogios de Stephen Holden, crítico do New York Times, que a comparou a cantoras como Tina Tuner e Chaka Khan. Na Globo, ela já foi Nossa Senhora Aparecida em “Hoje é dia de Maria 2”, Balbina em “Sinhá Moça”, Tia Nastácia em “Sítio do Pica Pau Amarelo”, Aurora em “Ciranda de Pedra”, Irmã Frida em “Xuxa e as Noviças”, mãe de santo em “Força-Tarefa”, Antônia em “Paraíso”, Irmã Calvário em “Ti ti ti”, Zilá em “Fina Estampa”, e Mãe Bia em “Subúrbia”. Mesmo no inverno, a carreira de Rosa Marya Colin estará sempre quente e segura, como profetizou a canção “California Dreaming”.

Rosa Marya cantando "Black Tie":




Fonte: http://racabrasil.uol.com.br/

terça-feira, 8 de março de 2016

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?

Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no Brasil a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação.

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Por Paula Nadal

quinta-feira, 3 de março de 2016

Quase 16 milhões de meninas entre 6 e 11 anos nunca irão à escola

O número é duas vezes maior que o de meninos.


Quase 16 milhões de meninas entre 6 e 11 anos nunca irão à escola, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O número é duas vezes maior que o de meninos. Entre eles, no mundo, 8 milhões nunca frequentarão as salas de aula.

Os números estão no Atlas de Desigualdade de Gênero na Educação, disponível na internet, divulgado pela Unesco em razão do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.

De acordo com a Unesco, as meninas são as primeiras a ter negado o direito à educação. A desigualdade segue principalmente nos Estados Árabes, na África Subsaariana e na Ásia Meridional e Ocidental. Na África Subsaariana, 9,5 milhões de meninas nunca entrarão em uma sala de aula. No caso dos meninos, serão 5 milhões.

Na Ásia, 80% das meninas que estão atualmente fora da escola nunca receberão educação formal, o que equivale a 4 milhões. Entre os meninos, menos de 1 milhão nunca receberá educação formal, o que equivale a 16% daqueles que estão hoje fora da escola.

Em relação aos Estados Árabes, a Unesco diz que as meninas são a maioria das milhões de crianças fora da escola, mas não é possível precisar quantas, devido aos conflitos na região, que dificultam a elaboração de estatísticas exatas.

O Brasil aparece no Atlas como um país sem dados estatísticos específicos sobre gênero na educação básica.

As informações são do Instituto de Estatística da Unesco. Anualmente o instituto faz um levantamento do número de crianças fora da escola e calcula as probabilidades futuras de terem acesso às salas de aula, caso as circunstâncias atuais sejam mantidas. As projeções podem variar ano a ano.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Eliminar as desigualdades de gênero no acesso à escola é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser cumpridos até 2030. Atualmente, uma em cada oito crianças entre 6 e 15 anos está fora da escola e as meninas são as primeiras a serem excluídas. Mais de 63 milhões de meninas no mundo inteiro não recebem educação formal.

"Nunca alcançaremos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se não conseguirmos vencer a discriminação e a pobreza que paralisam  a vida das meninas e das mulheres de geração a geração", diz a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, em nota divulgada nessa quarta-feira (2). "Devemos trabalhar em todos os níveis, desde a base social até os dirigentes mundiais, para fazer da equidade e integração os eixos de toda política, de forma que todas as meninas, sejam quais forem as suas circunstâncias, vão à escola, prossigam os estudos e cheguem a ser cidadãs emancipadas".

Os ODS são uma agenda global que tem a finalidade de promover o desenvolvimento social, a proteção ambiental e a prosperidade econômica em todo o mundo. Os objetivos começaram a valer este ano. Ao todo, são 17 objetivos e 169 metas que foram acordados pelos países-membros em setembro de 2015, em Nova York, na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

Por: Agência Brasil

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Amy Winehouse

Amy Jade Winehouse (Londres, 14 de setembro de 1983 — Londres, 23 de julho de 2011) foi uma cantora e compositora britânica conhecida por seu poderoso e profundo contralto vocal e sua mistura eclética de gêneros musicais, incluindo soul, jazz e R&B. Ingressou na carreira musical ainda na adolescência, apresentando-se em pequenos clubes de jazz em Londres. No fim de 1999, assinou o seu primeiro contrato com uma editora discográfica, a EMI Music, mas, após ter sido descoberta por Darcus Breeze, em 2001, assinou contrato com a Island Records.


Amy Winehouse


A sua primeira aparição no cenário musical britânico foi em 2003, com o seu álbum de estreia, Frank. O disco foi bem recebido pela crítica especialista, mas, inicialmente, não obteve sucesso comercial apesar de ter produzido quatro singles, todos sem êxito. Foi em 2006, com o lançamento do seu segundo álbum de estúdio, Back to Black, que Amy Winehouse ganhou proeminência como uma artista. Esse obteve sucesso crítico e comercial e alcançou as posições mais elevadas no ranking internacional, tendo atingido o número um em 23 países, incluindo Reino Unido, Áustria, Alemanha, Dinamarca e Irlanda, enquanto nos Estados Unidos chegou à sua posição máxima como número dois.


Desse trabalho, foram retirados seis singles, sendo "Rehab" o mais bem-sucedido. Back to Black vendeu seis milhões de cópias e foi o disco mais vendido de 2007. No ano seguinte, o álbum foi indicado em seis categorias à 50.ª edição dos Grammy Awards, das quais venceu cinco, o que fez de Winehouse a artista feminina britânica que mais foi premiada em apenas uma edição.

Considerada a desencadeadora da nova Invasão Britânica, Amy Winehouse é referida como a revolucionária da música soul pela crítica especialista. Ela é citada como influência musical por vários cantores, incluindo Adele, Duffy, Bruno Mars e Lady Gaga, e foi a intérprete que mais vendeu em nível digital no Reino Unido, em 2007, sendo posicionada no número dez na Lista dos Ricos do jornal inglês Sunday Times, com uma renda total de dez milhões de libras. Foi, ainda, eleita a "heroína suprema" dos britânicos pelo canal de televisão Sky News, com base em uma pesquisa realizada entre pessoas com menos de 25 anos de idade, em 2008, e na lista elaborada pela revista Veja, em 2009, das cantoras internacionais que mais venderam em solo brasileiro no ano anterior, ficou na primeira posição com mais de 500 mil álbuns vendidos, o que fez dela uma das recordistas de vendas no país. Ao longo de sua carreira, Winehouse vendeu um número estimado de trinta milhões de CDs e DVDs em todo o mundo, tornando-se uma das artistas que mais venderam em nível global. As suas conquistas incluem três prêmios Ivor Novello Awards e um total de seis Grammy Awards.

Capa da Rolling Stone


No entanto, apesar de bem-sucedida, a sua carreira foi muitas vezes ofuscada por seus problemas pessoais, principalmente pelo seu casamento conturbado com o ex-assistente de vídeo Blake Fielder-Civil, uma vez que as brigas do casal foram diariamente comentadas pela imprensa. Além disso, o seu envolvimento com álcool e drogas e a sua luta para superá-lo também prejudicou a sua imagem pública.

Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa em Londres, em 23 de julho de 2011. A causa da morte foi intoxicação por álcool. Após o falecimento da cantora, Back to Black tornou-se o disco mais vendido do século XXI no Reino Unido. Posteriormente, foi lançada a compilação póstuma Lioness: Hidden Treasures, que recebeu análises positivas da mídia especializada e teve um desempenho comercial favorável. Nesse mesmo ano, o periódico sueco Metro International concedeu à cantora o título de Celebridade do Ano, enquanto o canal VH1 colocou-a na 26.ª posição em sua lista das 100 Grandes Mulheres na Música, em 2012.

Infância e adolescência

Amy Winehouse nasceu em Southgate, ao norte de Londres, em 14 de setembro de 1983. O seu pai, Mitchell Winehouse, era motorista de táxi e cantor amador e a sua mãe, Janis, farmacêutica. Descendente de judeus, ela tinha um irmão mais velho, Alex Winehouse, nascido em 1979. Educou-se na escola Osidge Primary School, onde se matriculou em aulas de balé. Quando criança, costumava ouvir músicos de jazz, como Frank Sinatra, Dinah Washington e Ella Fitzgerald, que exerceram fortes influências em suas primeiras composições.


Amy  nos braços de sua mãe, Janis, seu irmão, Alex (centro),
 e o pai, Mitchell (à esquerda).


Aos cinco anos de idade.



Amy Winehouse aos seis anos de idade.


Winehouse passou boa parte de sua infância e adolescência presenciando a infidelidade conjugal do seu pai. Em entrevista a uma rede de televisão inglesa, o pai da cantora revelou que, em 1983, iniciou um caso amoroso com uma colega de trabalho, que se tornou sua esposa em 1996. Ele disse: "Amy e o seu irmão sabiam disso e presenciavam o sofrimento da mãe. Eles chamavam-na de a mulher do papai no trabalho". Os seus pais se divorciaram em 1992, depois disso Winehouse e o seu irmão ficaram sob a custódia da mãe e cresceram em Southgate.


Aos nove anos de idade, ela foi incentivada pela sua avó Cynthia a se matricular em uma escola de artes particular para promover a sua educação vocal. Ela foi então matriculada na escola Susi Earnshaw Theatre School. Aos dez anos de idade, fundou uma banda de rap amadora chamada Sweet 'n' Sour. Em 1996, conseguiu uma bolsa de estudos e começou a frequentar o colégio Sylvia Young Theatre School, mas foi expulsa após um ano por indisciplina. Aos catorze anos, ela foi matriculada na escola Brit Performing Arts and Technology School. Na mesma idade, começou a usar drogas. Aos quinze anos de idade, compôs as suas primeiras canções e começou a se apresentar em pequenos clubes de jazz em Londres.


Amy Winehouse

Em 1999, ela ingressou como vocalista de uma pequena banda local, chamada National Youth Jazz Orchestra, e gravou uma fita demo com o cantor Tyler James, que a enviou aos gerentes da agência A&R. Em seguida, a cantora assinou um contrato com a editora discográfica EMI Music, mas foi mantida em segredo da indústria fonográfica. Darcus Breeze ouviu um dos demos da cantora quando um dos seus gerentes foi lhe mostrar algumas das canções em que estava trabalhando e, acidentalmente, tocou uma das canções de Winehouse. Quando Breeze perguntou quem estava cantando, o gerente disse que não estava autorizado a responder. Após ter decidido que queria contratá-la, Breeze levou cerca de seis meses para conseguir encontrar a cantora. Apenas em 2001 ela foi convidada a fazer um teste vocacional para a Island Records e, posteriormente, assinou contrato com a gravadora, passando a produzir o seu álbum de estreia.

Frank

Em 2002, Amy Winehouse mudou-se para Camden Town, para finalizar o seu trabalho de estreia. Salaam Remi, Gordon Williams, Jimmy Hogarth e Matt Rowe participaram da elaboração do material como produtores e todas as composições foram creditadas à cantora. A sua primeira canção lançada como single, "Stronger Than Me", saiu em 6 de outubro de 2003 e debutou na 71.ª posição da tabela musical UK Singles Chart. Pouco tempo depois, em 20 de outubro, o seu álbum de estreia, intitulado Frank, foi lançado, sendo distribuído pela Island Records.

Frank debutou na 60.ª posição da parada musical UK Albums Chart. Em seguida, subiu para a 47.ª e mais tarde chegou à sua posição mais elevada, o número treze. Três meses depois, Winehouse liberou o seu segundo single, "Take the Box", que obteve a 57.ª posição da parada nacional. Mais tarde, o álbum acabou por ser certificado com disco de ouro pela Indústria Fonográfica Britânica, por ter vendido cem mil cópias no Reino Unido. O seu terceiro single, o duplo "In My Bed"/"You Sent Me Flying", foi lançado em abril de 2004 e alcançou o número 60 na tabela musical, enquanto a sua última música lançada como single, "Pumps"/"Help Yourself", debutou na 65.ª posição. Nos Estados Unidos, o álbum foi lançado apenas em 20 de novembro de 2007 através da editora discográfica Universal Music Group. A obra vendeu 307 mil cópias e alcançou a 61.ª posição da parada de álbuns do país, a Billboard 200.


Capa do primeiro disco intitulado 'Frank'.


O disco recebeu comentários favoráveis da crítica contemporânea, conseguindo 78 pontos numa escala de 100 com a agregação de críticos do portal Metacritic, mas não obteve destaque comercial e vendeu apenas trezentas mil cópias no Reino Unido em 2004. Porém, foi certificado com dois discos de platina em 2007, por vendas superiores a seiscentas mil cópias, e com mais três em dezembro do ano seguinte, totalizando novecentas mil cópias distribuídas em solo britânico. Vendeu ainda dois milhões de unidades na Europa, ganhando duas certificações de platina da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, e mais de três milhões em todo o mundo.

No ano de 2004, a cantora recebeu duas indicações ao prêmio BRIT Awards nas categorias Artista Solo Feminina Britânica e Ato Urbano. Além disso, venceu um prêmio Ivor Novello Awards com a canção "Stronger Than Me", enquanto Frank foi incluído no livro de referência musical 1001 Albums You Must Hear Before You Die (2005) e recebeu uma indicação ao Mercury Prize Awards de Álbum do Ano. Após finalizar os seus projetos com o álbum, ela desapareceu da atenção da imprensa e ficou cerca de dezoito meses sem realizar nenhum empreendimento musical.

 Back to Black

Amy Winehouse voltou à atenção da imprensa britânica em 2006, devido à sua drástica perda de peso e ao seu consumo excessivo de álcool e drogas. Nesse período, ela também chamou atenção para a sua imagem, que ficou caracterizada pela sua maquiagem e por um penteado inspirado pela moda das décadas de 1950 e 1960. Além disso, o seu relacionamento conturbado com o então assistente de vídeo Blake Fielder-Civil foi muitas vezes comentado nos tabloides. Resultante dessa relação, Back to Black foi lançado como o segundo álbum de estúdio da cantora. As canções incluídas nesse trabalho foram fortemente influenciadas pela música soul da década de 1960, pelo R&B contemporâneo e o ska. Ademais, descreviam a sua vida pessoal. Mark Ronson e Salaam Remi são citados nas notas da obra como produtores, enquanto as composições ficaram a cargo de Amy Winehouse, Paul O'Duffy, Richard e Robert Poindexter, Nick Ashford e Valerie Simpson.


Capa do 'Back to Black'.


A divulgação da obra começou no site oficial da cantora em setembro de 2006, com o anúncio do lançamento de seu novo álbum e do single de avanço "Rehab". Liberada em 23 de outubro, a canção foi bem elogiada pelos críticos de música contemporânea, que deram ênfase ao seu etilo Motown e à sua letra autobiográfica. O single fez a sua estreia na 19.ª colocação da UK Singles Chart, chegando à sua posição mais elevada como número sete, atingindo o primeiro lugar na Hungria e Noruega. Passada uma semana, Back to Black também foi liberado, recebendo análises positivas dos críticos musicais. Comercialmente, o disco também foi bem recebido, tendo vendido 43 mil cópias na sua primeira semana de distribuição, o que resultou na sua entrada na terceira posição da parada de álbuns do Reino Unido, a UK Albums Chart, na edição de 5 de novembro, alcançando a primeira posição após onze semanas na tabela. Dando continuidade à divulgação do disco, a cantora lançou o seu segundo single, "You Know I'm No Good", que obteve a 18.ª posição da tabela nacional e a primeira nas rádios da Polônia.

Em 13 de março de 2007, Back to Black foi lançado nos Estados Unidos através da editora discográfica Universal Music Group. Estreou na sétima posição da parada oficial do país, a Billboard 200, com mais de 51 mil cópias vendidas na sua primeira semana, estabelecendo o recorde de maior estreia alcançada por uma artista feminina britânica na época, e chegou à sua posição máxima como número dois, recebendo, dois meses depois, o certificado de ouro da Associação da Indústria de Gravação da América, que lhe atribuiu mais tarde dois discos de platina.


Amy Winehouse, melhor cantora contemporânea de 2007, Londres.


Após a sua chegada no Estados Unidos, Winehouse deu início à divulgação dos seus singles nas rádios norte-americanas e, ainda em março, fez a sua primeira aparição em uma rede de televisão estadunidense no programa Late Show, da CBS, fazendo a sua estreia nos palcos no festival Joe's Pub, em Nova York. Além disso, foi convidada musical na cerimônia MTV Movie Awards de 2007, na Califórnia, cuja performance obteve críticas positivas por parte dos analistas e do público.


Prêmio MTV Movie Awards


Aproximadamente um mês depois, ela liberou como terceiro single a faixa homônima, que teve como melhor posição o número 25 na tabela britânica, ficando no pódio das paradas da Grécia e Polônia. Nas paradas dos Estados Unidos, "Rehab" chegou à 9.ª posição na Billboard Hot 100, à 13.ª na Pop Songs, à 14.ª na Adult Pop Songs e à 7.ª posição na Radio Songs, sendo certificada com platina por ter vendido mais de 1.700 milhões de downloads. Além de "Rehab", a sua única canção que conseguiu entrar na tabela musical do país foi "You Know I'm No Good", posicionada no número 77 no Hot 100 da Billboard. Como quarta faixa do álbum, a intérprete lançou a canção "Tears Dry on Their Own", atingindo o número dezesseis no Reino Unido.

Back to Black chegou à liderança nos mercados musicais de 23 países, incluindo Áustria, Espanha, Portugal e França. Alcançou ainda os dez primeiros lugares das paradas musicais de outros doze países. No Brasil, o disco chegou à segunda colocação e recebeu o certificado de diamante da Associação Brasileira dos Produtores de Discos por mais de 250 mil unidades vendidas.

Em função de promover o disco, a cantora embarcou em sua primeira digressão musical pela Europa e América, com a banda The Dap-Kings, apresentando-se em festivais como Eurockéennes, Glastonbury, V Festival, Lollapalooza e Coachella, mas muitos dos seus concertos foram prejudicados pelo seu envolvimento com álcool e drogas, sendo parte da turnê pela América do Norte cancelada devido aos seus problemas de saúde.

Em 5 de novembro de 2007, ela lançou Back to Black: Deluxe Edition, reedição que apresenta o disco de estúdio original, oito faixas novas e gravações demos. Simultaneamente com a versão deluxe, a artista lançou o seu primeiro DVD, I Told You I Was Trouble: Live in London, que atingiu a primeira posição nos Países Baixos. A sua primeira canção lançada como single da versão especial foi "Valerie", que conseguiu alcançar a segunda posição da UK Singles Chart,89 recebendo mais tarde uma indicação ao BRIT Awards na categoria Melhor single Britânico. A segunda, "Cupid", chegou à 49.ª posição na Suíça. Como o seu último lançamento do ano da versão-padrão, Amy Winehouse liberou "Love is a Losing Game", que chegou à 46.ª posição na tabela musical.


Deluxe Edition


No final de 2007, Back to Black foi condecorado com seis discos de platina no Reino Unido por um total de dois milhões de cópias distribuídas em território britânico, tornando-se o disco mais vendido do ano. Também ficou entre os dez discos mais comercializados do ano na Finlândia, Bélgica, Irlanda, Dinamarca e França. Nos Estados Unidos, foi o 24.º álbum mais vendido do país com mais de 1.500 milhões de unidades vendidas.


Back To Black clip.


No ano de 2008, Amy Winehouse participou da 50.ª edição dos Grammy Awards, onde venceu cinco das seis categorias em que estava concorrendo: Canção do Ano, Gravação do Ano, Melhor Performance Vocal Pop Feminina, Artista Revelação e Melhor Álbum Vocal Pop. Por esse feito, a cantora entrou para o livro The Guinness Book of World Records como a artista feminina britânica que mais foi premiada em apenas uma edição dos Grammy Awards.

Back to Black obteve um bom desempenho comercial. Foi o álbum mais vendido do mundo em 2007, com um total de seis milhões de cópias comercializadas, e o segundo mais vendido de 2008, com outras 5.100 milhões. No Reino Unido, foi o disco mais vendido de 2007, o terceiro mais vendido da década de 2000 e atualmente encontra-se na 11.ª posição na lista dos álbuns mais vendidos da história do país.100 Em agosto de 2011, Back to Black tornou-se o disco mais vendido do século XXI, com mais de mais de 3.300 milhões de cópias distribuídas, passando a ocupar em dezembro o segundo lugar, atrás apenas de 21 da inglesa Adele. Na Europa, as suas vendas ultrapassam a marca de oito milhões de unidades, enquanto nos Estados Unidos chegam a mais de 2.700 milhões, segundo o sistema de informação Nielsen SoundScan. Mundialmente, a obra havia vendido mais de vinte milhões de cópias até 2012, o que o fez entrar para a lista dos álbuns mais vendidos do mundo.


Morte

Por volta das 15h54min de 23 de julho de 2011 (horário de verão britânico, UTC+1), duas ambulâncias foram chamadas para a casa de Winehouse em Camden, Londres, devido a um telefonema à polícia britânica para atender uma mulher desfalecida.

Pouco tempo depois, as autoridades metropolitanas haviam confirmado a morte da cantora. Posteriormente, foi aberta uma investigação a fim de determinar a causa da morte de Amy Winehouse, porém os primeiros resultados não foram conclusivos e uma análise toxicológica foi necessária. Apenas em 26 de outubro do mesmo ano, os relatórios finais puderam indicar que a causa da morte decorreu de um consumo abusivo de álcool após um período de abstinência, que mantivera até o dia 22 do mesmo mês. Suzanne Greenaway, médica legista, disse que a quantidade de álcool encontrado no sangue da artista era de 4,16 g/L, cinco vezes maior que o suportável.


Os pais de Amy choram a morte da cantora.

No dia da morte, a editora discográfica Universal Music Group emitiu um comunicado expressando seu pesar pela morte inesperada da cantora. Além disso, artistas como U2, Lady Gaga, Nicki Minaj, Bruno Mars, Rihanna, George Michael, Adele, Kelly Clarkson e Courtney Love fizeram tributos a Amy Winehouse. Diversos fãs também prestaram homenagens a ela, deixando garrafas de bebidas alcoólicas, taças, cigarros e diversas fotos da cantora em frente à sua casa em Camden Town. A sua morte também trouxe de volta os seus materiais discográficos aos rankings ao redor do mundo.


Homenagem dos fãs.

A cerimônia fúnebre ocorreu no dia 26 de julho de 2011, terça-feira, no cemitério Edgwarebury, em Londres. A família e os amigos mais íntimos de Winehouse, além de algumas celebridades, como Mark Ronson, Kelly Osbourne e Bryan Adams, participaram da cerimônia, que seguiu os preceitos da religião judaica. O corpo da artista foi cremado e suas cinzas foram misturadas com as de sua avó, Cynthia. Com a conclusão do funeral, os seus pais declararam sua intenção de criar uma fundação para ajudar jovens viciados em drogas.

Em 17 de dezembro de 2012, as autoridades britânicas decidiram reabrir o inquérito para confirmar a causa da morte de Amy Winehouse e, apenas em 8 de janeiro de 2013, os relatórios confirmaram que a cantora morreu devido a uma intoxicação alcoólica.

Influências

As principais influências musicais de Amy Winehouse eram cantores de soul e jazz das décadas de 1940 e 1960, como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Porém, alguns artistas de música gospel, como Mahalia Jackson e Aretha Franklin, também exerceram certa influência na artista. Durante a sua infância, a inglesa costumava ouvir músicos como Dinah Washington, Billie Holiday e Frank Sinatra, que exerceram fortes influências nas composições e estilo musical do seu álbum de estreia, Frank, incorporando em suas canções elementos de jazz e R&B.


Billie Holiday, uma das maiores influências da Amy.


No entanto, durante o desenvolvimento do seu segundo álbum de estúdio, Back to Black, Winehouse citou como principais influências os grupos femininos dos anos 1950 e 1960, comentando: "Andara escutando um monte de grupos femininos dos anos 1950 e 1960. Gostava da simplicidade deles. Vão direto ao assunto. Então comecei a pensar em escrever canções daquela maneira". A principal dessas bandas foi The Shangri-Las, a qual ela citou como sua inspiração. Numa entrevista dada pela cantora à emissora de televisão BBC Music, gravada no festival Other Voices, na Irlanda, ela revelou que a sua canção preferida das garotas era "I Can Never Go Home Anymore". "Quando eu e o meu namorado terminamos, eu passei a ouvir aquela canção repetidamente enquanto estava sentada no chão da minha cozinha com uma garrafa de Jack Daniels", disse ela. Outro grupo que exerceu influência notável na artista foi The Ronettes, já que o penteado usado por ela nesse período, chamado beehive, foi inspirado no mesmo que as garotas usavam na época.


The Shangri-las, outra grande influência.

Além desses artistas, ela também teve como influência os seguintes cantores e bandas: Marvin Gaye, The Specials, Ray Charles, Donny Hathaway, The Shirelles, The Zutons, Salt-n-Pepa, TLC e Sam Cooke.

Ao longo da sua carreira, Amy Winehouse também influenciou alguns artistas. A cantora galesa Duffy citou-a como uma de suas influências musicais e foi comparada a ela devido à semelhança do estilo musical das duas cantoras. O mesmo ocorreu com a britânica Adele que, além de ser denominada pela imprensa como A Nova Amy Winehouse, revelou que Winehouse é a sua inspiração. A também britânica Paloma Faith e a australiana Gabriella Cilmi também são comparadas à cantora por terem voz, visual e estilo musical influenciados por ela, porém esta última revelou não gostar dessas comparações devido à diferença das duas intérpretes. Ela também influenciou a cantora norte-americana Lady Gaga, que comentou: "Amy mudou a música pop para sempre. Terei para sempre um amor muito profundo por ela".

Outros artistas influenciados pela cantora são: Lily Allen, Florence Welch, Dionne Bromfield, Caro Emerald, Jesuton, Nina Zilli e Rebecca Ferguson.

Em 2010, o rapper Jay-Z disse em entrevista à rádio BBC que Amy Winehouse revigorou o cenário musical britânico, afirmando: "Há uma forte pressão vinda de Londres neste momento, o que é ótimo. Ela existe desde a época da Amy Winehouse, acho. Quer dizer, desde sempre mas eu acho que este novo ímpeto teria sido provocado por ela". Charles Aaron, editor da revista norte-americana Spin, comentando a influência exercida pela cantora sobre Adele, Corinne Bailey Rae, Eliza Doolittle, dentre outras artistas femininas britânicas, escreveu: "Amy Winehouse foi o momento Nirvana para toda estas mulheres. Todas fazem referência a ela [a Amy Winehouse] em termos de atitude, estilo musical ou moda". Jim Faber, numa matéria publicada pelo jornal americano New York Daily News, disse que Winehouse foi a desencadeadora da nova invasão britânica. Em 2011, Adrian Thrills, do jornal britânico Daily Mail, disse: "Sem a Amy não haveria Adele, Duffy e nem Lady Gaga", completando: "Mesmo agora, numa época em que o pop feminino domina as tabelas musicais, como Adele, Beyoncé, Katy Perry e Gaga, nada se aproxima da força emocional de Back to Black".

Amy Winehouse foi sem dúvidas uma das maiores revelações desta época, com seu jeito autêntico de ser e sua rebeldia aliadas às suas boas influências musicais, Amy conseguiu conquistar o público e críticos de todo o mundo.

Fiquem agora com o clipe de "Tears Dry On Their Own":



Artigo retirado do site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Amy_Winehouse